Editorial

O trabalho pastoral é mais importante que os outros trabalhos?

Ao desafiarmos pessoas para o ministério pastoral de tempo integral, há erros que usualmente cometemos. Um erro é criarmos duas classes de cristãos – aqueles que estão realmente trabalhando para o Senhor e procurando anunciar seu reino (os “trabalhadores do evangelho reconhecidos”) e o resto. Neste modelo, fazer discípulos é como uma equipe de Fórmula 1. Há apenas um piloto, e as demais pessoas envolvidas fazem seu pouquinho nos bastidores. Podem trabalhar nos boxes, podem ajudar a financiar a equipe ou podem achar patrocinadores e organizar os logotipos que deverão ser pintados nos carros. Mas o piloto é a estrela e o foco.
Como já vimos, não é assim que a Bíblia concebe a obra do evangelho. Não há duas classes de discípulos – somos todos discípulos e fazedores de discípulos. Todos os cristãos são chamados a negar a si mesmos, tomar a sua cruz e seguir Jesus até a morte; a renunciar sua vida para a honra e o serviço de Cristo. Isso é mais semelhante a um time de futebol, no qual cada jogador faz tudo que pode para fazer a bola avançar pelo campo do adversário. Há líderes e capitães, mas, fundamentalmente e acima de tudo, cada um é um jogador. Porém não podemos cometer o erro de hipervalorizar um e menosprezar outro. Deus chamou alguns para serem médicos, engenheiros, empreiteiros, pedreiros, enfim, para atuarem em todos os campos da sociedade e alguns para se dedicarem em tempo integral ao ministério.
Minha identidade primária como cristão não é se sou um contador ou um carpinteiro e sim um discípulo fazedor de discípulos do Senhor Jesus Cristo. É realmente de importância mínima se trabalho para obter meu próprio sustento como discípulo fazedor de discípulos ou se outros me sustentam por causa das exigências da obra de fazer discípulos que realizo. O fato importante é que todos nós somos, juntos, fazedores de discípulos. Somos cidadãos do Reino de Deus e nossa missão é expandir esse Reino até que ele seja pleno.

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