Voluntariado

recanto

VOLUNTARIADO, TRANSFORMAÇÃO E SOCIEDADE.

Hoje não dá para olhar a Igreja Evangélica brasileira e ignorar a ação de um enorme contingente de pessoas que dedica tempo, dinheiro e muito trabalho para mudar a realidade de comunidades inteiras. Eles colocam o pé na estrada para mostrar que o Reino de Deus já começou. Os exemplos de evangélicos fazendo trabalho voluntário são muitos, e não apenas no âmbito das igrejas – eles atuam em ações de saúde, segurança pública, moradia, educação. Os voluntários estão em todos os setores. Todo mundo sabe fazer alguma coisa. E devemos usar isso para viver o amor prático que Jesus ensinou.
De uma ou de outra forma e independentemente de religião, os voluntários põem em prática, permanentemente, o ideal cristão de fraternidade humana.
Como cristãos e missionários que somos não podemos ficar indiferentes a este novo fenómeno que é o voluntariado. Muitas vezes limitamo-nos a partilhar com os outros o que “temos”: alimentos, roupas, esmolas, colaboração material, etc. Isto é bom, e até mesmo evangélico. Mas, o Voluntariado vai mais além: convida-nos a partilhar “o que somos”, dedicando parte do nosso tempo e das nossas capacidades àquilo que chamamos “Voluntariado Social”.

“Vós sois o sal da terra e a luz do mundo” (Mt 5, 13-14).

O cristianismo é rico em pessoas que doaram as suas vidas num serviço de voluntariado.
Os discípulos e discípulas de Jesus demonstrem que a sua vida cristã é sempre uma vida de voluntariado porque o maior e verdadeiro voluntário da humanidade foi o Senhor Jesus que deu a vida em resgate de muitos.

“Tinha fome e destes-me de comer” (Mt 25, 35)

Quais as características do voluntário cristão?
– “… Tem o dom de se doar… e, em alguns momentos, sente-se chamado a desenvolvê-lo…”.
– “… Dispõe-se a fazer um trabalho sem interesse de retorno material, mas apenas espiritual… ou em troca de algo intangível…”.
– “… Através da atuação junto da sociedade, sente-se útil… doa a sua força de trabalho em favor de alguma causa humana, social ou ambiental…”.
– “… Tem um conceito mais estruturado do papel do indivíduo na sociedade… pensa e age de maneira coletiva”.
– “… Coloca-se à disposição… contribui… oferece-se sem pensar em retribuição… de livre e espontânea vontade…”.
– “… Valoriza a satisfação pessoal de ter colaborado para tornar os outros mais felizes…”.
Podemos verificar como todas estas características são cristãs. Entram e enquadram-se perfeitamente nos valores da doação que Jesus viveu e das exigências que ele propõe a todos aqueles que querem entrar no seu seguimento.

“O que fizestes ao mais pequeno dos meus irmãos, a mim o fizestes”
(Mt 25, 40)

Duas das mudanças mais importantes que Jesus introduziu no pensamento religioso e na espiritualidade do seu tempo foram a convicção de que Deus não está afastado de nós e que os pobres são os preferidos do Pai. Este voluntariado, ao reconhecer Jesus nos pobres, mudará completamente não só a vida e a existência do voluntário, mas também a vida da pessoa que é ajudada.

O voluntário é o exemplo vivo do bom Samaritano

A Parábola do Bom Samaritano é uma famosa parábola que aparece unicamente no Evangelho de São Lucas (10, 25-37). O ponto de vista maioritário indica que esta parábola foi contada por Jesus a fim de ilustrar que a compaixão deveria ser aplicada a todas as pessoas, e que o cumprimento do espírito da Lei é tão importante quanto o cumprimento da letra da Lei. Jesus coloca a definição de próximo num contexto mais amplo do que a lei. O ensino oferecido por Jesus Cristo nesta edificante parábola é dos mais significativos. Nele podemos apreciar o exercício da caridade despretensiosa e incondicional, no seu sentido mais amplo, sem limitações.
O voluntário, de qualquer raça, religião ou estado social pode ser “bom samaritano” quando é capaz de parar diante dos “feridos” que encontra no seu caminho.
Estamos numa Igreja-comunidade que para além do culto deve ser uma Igreja samaritana, aberta ao homem de qualquer condição, capaz de parar perante os caídos da nossa sociedade, sem passar adiante só porque tem que chegar pontualmente ao Templo.

“Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 15, 12)

Jesus, na última ceia, dá um mandamento novo aos seus discípulos: “É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei”.
O voluntariado, para um cristão, é consequência desse novo mandamento que nos indica Jesus.

O voluntariado é uma forma concreta de participar na construção de uma sociedade mais justa, sobretudo neste tempo de crise, não só no campo econômico, mas também nos valores humanos e religiosos.

PERFIL DO VOLUNTÁRIO

– AMOR AO PRÓXIMO – “Ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”

– VIDA DEVOCIONAL – Bíblia e oração são constantes em sua vida

– FRUTOS DO ESPIRITO – Amor, Alegria, paz, paciência, delicadeza, bondade, fidelidade, humildade, domínio próprio

– SOLIDARIEDADE – Tem sentimento de ajuda, de caridade, de participação, de apoio

– COMPROMETIMENTO – Tem compromisso responsável com as ações, com as pessoas

– ADAPTABILIDADE – Adapta-se com facilidade a situações novas, previstas e imprevistas

– RESPONSABILIDADE – Cumpre com seus deveres

– SENSO CRÍTICO – Sabe discernir, criticar, censurar e reconhecer erros e acertos em suas ações

– ESPÍRITO DE EQUIPE – Tem capacidade de trabalhar em equipe, tem postura participativa, respeito

– ORGANIZAÇÃO – Organiza-se com prazer, distribuindo bem o seu tempo, adequadamente, em relação ás responsabilidades assumidas

– SENSIBILIDADE – É sensível às pessoas, às situações

– PERSISITÊNCIA – Insiste, não desanima facilmente, vence obstáculos

– CRIATIVIDADE – Inova, cria situações novas

– INICIATIVA – Tem iniciativa na execução de tarefas e em comunicar situações ou problemas

– AGENTE DE MUDANÇA – Sugere e participa de mudanças

– LIDERANÇA – Lidera, organiza ações, tem influencia positiva sobre as pessoas

– PRUDÊNCIA – Sabe a hora de falar, de calar, de agir

– FLEXIBILIDADE – É maleável diante das pessoas, e ações problemáticas

– ÉTICO – Conduz-se por princípios e regras morais

– ATUALIZADO – Preocupa-se em estar sempre se reciclando

– DISPONIBILIDADE DE TEMPO – Não tem tempo sobrando, porém se organiza.

– RECONHECE SUA CAPACIDADE – Cumpre os objetivos a que se propõe

– HUMILDADE – Tem humildade para reconhecer suas falhas e para recomeçar

– CIDADANIA – Exerce seus direitos e deveres

(Luci Pimenta de Miranda – Assistente Social)

5 COISAS QUE VOCÊ APRENDE FAZENDO VOLUNTARIADO

1 – Compaixão (não confundir com pena)
Para entender o que é compaixão, uso a definição perfeita do líder humanitário que diz: “É a mesma diferença entre o dia e a noite; entre luz e trevas. A pena é egoística e a compaixão é altruística”.

Em outras palavras, compaixão é agir genuinamente. Exercitar ações que irão impactar algo sem que você espere absolutamente nada em troca, nem reconhecimento ou uma medalha no pedestal social de status.

“A compaixão é desinteressada. Você quer realmente ver o outro feliz; você quer vê-lo brilhar, respeitando o processo dele.”

2 – Alegria
Por que alegria? Porque somos diariamente cobrados e agimos como máquinas cumprindo funções nas obrigações rotineiras. Então, agir com alegria faz com que as coisas operem como maior leveza e simplicidade naquilo que você desempenha. Não tenha medo de se expôr ao ridículo, porque rir sem motivo é, talvez, a alegria mais sincera. E isso é bom (demais).

3 – Gratuidade
Em um mundo movido a dinheiro, às vezes esquecemos o tanto de momentos puros e singelos que conseguimos proporcionar ao fazer algo de graça. Entender que você é reflexo de cada coisa que você vive, é captar a essência de cada encontro inédito que você tem, seja em um sorriso de uma criança ou idoso ou uma pessoa de outra cultura que está ali, só compartilhando com você o sentimento curioso que o move. Simples, não. Protagonize isso, é grátis

4 – Autoconhecimento
Talvez, o item que mais passeia pela singela proporção do que um voluntariado é capaz de fazer. Autoconhecimento, porque se você está ali desempenhando um papel, é porque você está por pura e espontânea vontade, em que não existe maneira mais intensa de saber se o que você realiza é compatível com algo muito importante, algo chamado consciência. Pois se autossabotando ou levando um trabalho brilhante, apenas você medirá os pontos bons que precisa emponderar e os ruins que precisa melhorar.

5 – Amor
Esse item, não é sobre amor no sentido romântico, mas sim de caráter genuíno e responsável, sem abrir espaço para dramas. O voluntariado é, talvez, a melhor maneira de descobrir este sentimento em suas diferentes formas e potencialidades. Pois, cada pessoa que você encontra neste tipo de exercício, transforma todos os seus problemas em sentimentos insignificantes e exerce algo fundamental no mundo caótico de hoje, algo chamado: empatia.

PERGUNTAS

1. O que pode te motivar a participar de um projeto voluntário?

2. O que é preciso para ser um voluntário?

3. O que é o serviço voluntário?

É a atividade não remunerada, prestada por pessoa física ao MPPR, com objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos ou de assistência social, sem vínculo empregatício, funcional ou qualquer obrigação de natureza trabalhista, previdenciária ou afim.

Ressalta-se o fato de não se tratar de estágio, bem como se deve observar que não há concessão de qualquer tipo de bolsa, auxílio ou ajuda de custo aos voluntários.

4. Mais afinal o que é ser voluntário?

5. Qual o perfil das pessoas que trabalham como voluntário?

6. Existem recompensas no voluntariado?

7. Quais são os direitos e responsabilidades de uma pessoa que é voluntária?

8. O trabalho voluntário desobriga o governo a cumprir suas obrigações para com a população?

9. O voluntariado tira o emprego das pessoas?

10. A pessoa que faz um trabalho de desenvolver a auto disciplina e a auto confiança, além de aprender a viver em grupo e conviver com as diferenças, dentre outras qualidades igualmente valorizadas no mercado de trabalho. Isto pode agregar valor ao currículo do indivíduo?

11. Em um trabalho voluntário não é preciso avisar se tiver que faltar. Afinal, não é empregada, não recebe salário, logo, não precisa dar satisfações. Isto é correto?

12. Se a pessoa resolve ser voluntário é porque tem muito conhecimento a ser compartilhado. Isto é verdade?

13. Como os cristãos podem se envolver num trabalho com moradores de rua?

14. Pessoas doentes que não podem ficar expostas à chuva e ao sereno da noite, podem fazer um trabalho de bastidor?

15. O trabalho voluntário com moradores de rua é mais difícil?

16. Existe alguma idade mínima para ser voluntário?

Não. Crianças, jovens, adultos e idosos, independente da idade, podem ser voluntários. Quando o voluntário for menor de 14 anos, é importante lembrar que o Termo de Adesão e Plano de Trabalho Voluntário deverá ser preenchido e assinado pelos pais ou responsáveis legais.

17. Existe algum limite de horas semanais para o trabalho voluntário?