Não à indiferença

O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece que é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar os direitos das crianças e dos adolescentes referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade, e à convivência familiar e comunitária.
A igreja, como parte da sociedade, deve assegurar que esses direitos sejam realidade para as crianças e adolescentes, quando a família não assegura.
São tantas as ameaças: falta de moradia digna, de saneamento básico, de água tratada, de educação e de saúde, sofrendo violência física e moral, abuso sexual, trabalho infantil, desnutrição e pobreza. Os números são assombrosos, as estatísticas mostram um quadro sombrio.
Mas números, não assustam, não nos afetam. Números não tem nome, não tem rosto.
A distância é uma estratégia cruel que mantem seguros e confortáveis os covardes e não cristãos…Palavras duras, dirão. A falta de contato nos priva da dor, nos resguarda no “não é comigo”. A indiferença é o o que sobra quando me convenço que não há o que fazer, ou quando não faço porque é pouco e não mudará o quadro. “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.” Não é possível amar alguém sem conhecê-lo. Não é possível conhecer alguém sem relacionar-se com ele.
Como amá-lo se não o conheço?
Como amá-lo se não me relaciono com ele?
O Senhor nos desafia a nos incomodarmos, a não seguir em frente sem voltarmo-nos, a nos mover pelo próximo.
Como diz a Roberta: “É preciso levar Deus a sério”. O nosso legado ao futuro é o exemplo, aja.
Olhe nos olhos das crianças dos números; ensine, acredite, pregue, pratique o bem, doe, empregue, afague, alimente, acolha, adote, denuncie…
“Quem acolhe em meu nome uma destas crianças, a mim acolhe. E quem me acolhe, acolhe, não a mim, mas Àquele que me enviou”. Mc 9 -37