“para que entre ti não haja pobre;” – Deut. 15:4

O economista Celso Rocha de Barros, em recente artigo na Folha de São Paulo, demonstrou, com sua clareza habitual, que, mesmo que não houvesse corrupção na escala que tem sido desnudada, os problemas financeiros do governo brasileiro não seriam resolvidos: a Previdência continuaria com seu enorme buraco, a Saúde continuaria exigindo recursos adicionais inexistentes, os Estados e Municípios continuariam com problemas de Segurança, e por aí vamos. Sua argumentação é, estranhamente, correta e errada. Correta, do ponto de vista dos números. Errada, do ponto de vista moral.
A corrupção não se restringe a desviar dinheiro público para bolsos privados.
Ela atinge todas as áreas do ser humano, embotando sua visão. Estamos em um momento em que nenhum político, entre aqueles que de fato tem poder neste país, tem em seu coração um verdadeiro desejo de justiça social e de erradicação da pobreza. Os novos partidos que se chamam “liberais” (ironia: nos Estados Unidos, liberal é considerado esquerdista; no Brasil, da direita…) preocupam-se, corretamente, com o equilíbrio das contas públicas e com um clima favorável para se empreender e criar empregos, mas não dedicam nenhuma linha de seu ideário para a pobreza e a miséria.
É chocante que nossas incursões noturnas entre os moradores de rua revelem que existem vários entre eles que trabalham e, no entanto, não conseguem ganhar o suficiente para ter um teto sobre suas cabeças. A seca que se prolonga há seis anos no Nordeste joga milhares de nossos conterrâneos na miséria, na fome, na sede. E o país, como Caim, diz:
Sou eu tutor do meu irmão?
Logo mais estaremos votando. Existem várias maneiras de combater a pobreza ninguém é dono da verdade. O que é importante, prioritário, para nós que nos chamamos de seguidores de Cristo, é escolhermos governantes que tenham, em suas palavras e corações, um desejo de se alinharem com Deus em Seu repúdio à pobreza e Seu ardente desejo por justiça social.
Sermos abençoados é bom; abençoadores, melhor.