Propiciação

Moisés disse ao Senhor: “Rogo-te que me mostres a tua glória” (Êxodo 33.18). Efetivamente, ele perguntou: “Quem tu és, Deus? ”. Deus respondeu com estas palavras: “Farei passar toda a minha bondade diante de ti e te proclamarei o nome do SENHOR; terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de quem eu me compadecer” (versículo 19). Ele prometeu se revelar.
Mas nenhum homem pode ver a Deus e viver. Isso é demais para qualquer homem, e para o homem pecador, em particular. Assim, Deus estava se revelando parcialmente a Moisés. Ele passaria por uma fenda na rocha, protegendo-o com sua própria mão, e proclamaria o seu próprio nome. “E, passando o SENHOR por diante dele, clamou: SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração! ” (34.6-7).
O perdão é tão importante que é expressado usando três termos semelhantes: “perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado”. Ele abunda em perdão e misericórdia. Mas o nosso Deus, de acordo com Sua auto revelação, também é justo. Nosso texto afirma que ele não vai simplesmente inocentar o culpado. Seria contrário à sua natureza simplesmente ignorar o pecado. A justiça deve ser feita por causa de quem Deus é. Nosso Deus deve ser fiel a quem ele é. Mas como ele pode ser misericordioso e justo ao mesmo tempo? Como ele pode agir de uma maneira consistente com esses dois atributos?
A resposta é a encarnação e a cruz. O Pai, por ser misericordioso e justo, enviou o Filho para representar todos aqueles que o Pai havia dado a ele (João 17.18-23; Efésios 5.25-32). Sem deixar de ser Deus, o Filho tomou para si uma natureza humana, e tendo sido concebido pelo Espírito Santo e nascido da virgem Maria, ele viveu perfeitamente sob a lei de Deus, guardando a lei que Adão quebrou. Ele voluntariamente foi à cruz pagando assim a pena do nosso pecado. Ele, então, suportou a ira do Pai, pagando a dívida que não podemos pagar. Isso é propiciação.
Paulo diz em 2 Coríntios 5.21: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”. A justiça foi feita e nossa culpa foi removida. Na cruz de Jesus, nós encontramos  tanto a maravilhosa misericórdia quanto a perfeita justiça de Deus em plena exibição.
O autor de Hebreus escreve: “Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? ”.