“Senhor, ensina-nos a orar…” Lucas 11:1

Este pedido, feito por um dos discípulos a Jesus, é surpreendente e inesperado. Sendo judeu, era herdeiro da mais rica tradição de oração, contida no livro de Salmos. Conheciam, igualmente, as orações históricas e públicas, como as de Moisés e Salomão. O povo de Israel não tinha como desconhecer a importância da prática de orações em sua vida espiritual e temporal.

Tinham, provavelmente, notado que a vida de oração de Jesus diferia da tradição a que estavam acostumados. Ele se retirava para orar; não era dado a orar em público. E mais: passava um bom tempo em oração, muito mais do que seria necessário para recitar um Salmo. E, após uma noite de oração, Jesus estava cheio do Espírito e de poder, realizando sinais e milagres e ensinando com autoridade.

Penso que os discípulos tenham chegado a uma conclusão através de um raciocínio linear e simples, unindo dois pontinhos: Ele ora, e faz coisas incríveis! Se nós aprendermos a orar com Ele, poderemos, igualmente, atingir novos patamares de feitos milagrosos. Daí, quem sabe, o pedido.

Quanto aos discípulos, é possível que esteja exagerando. Quando, no entanto, alguém pede que se fale sobre “Oração”, o que se quer é ouvir como executar uma oração eficaz, aquela oração que dá certo, com garantia de qualidade. Muitos são os livros escritos sobre este assunto com o mesmo viés: a eficácia. Os que eu tinha já foram todos reciclados.

Jesus nos ensina, em Mateus 6, que a oração é um diálogo individual, pessoal, particular, que mantemos com Deus Pai, o Deus que nos encoraja a chamá-lo de Pai, ou Papai (Abba). Implica em falar e ser ouvido, em ouvir e obedecer. É a fonte da nossa vida em Jesus, o alimento que nos sustenta. É sentarmos no colo de Deus, que nos abraça, e confiar a Ele nossa realidade, nossos sonhos, e, sim, nossos medos e temores.

É sermos crianças que colocam toda sua confiança no Abba, e se aquietam, O ouvem, e obedecem.